46 cidades de SP já têm ações de turismo para público LGBT+

Levantamento do governo estadual mapeou Santos, Campinas, Araraquara e outros destinos; cartilha orienta hotéis e pontos turísticos

Por
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Quem viaja pelo interior ou litoral de São Paulo já encontra, em pelo menos 46 municípios, alguma estrutura voltada ao público LGBT+, seja em eventos, políticas públicas ou preparo do setor de turismo. É o que mostra um levantamento da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), divulgado nesta sexta-feira (23).

O mapeamento ouviu 72 municípios paulistas. Desses, 30 (41,7%) já têm alguma atividade ligada ao turismo LGBT+ em funcionamento, e outros 16 (22,2%) estão com ações em fase de planejamento. Juntos, os dois grupos somam 46 cidades, ou 63,9% do total pesquisado, já envolvidas de alguma forma com o tema.

Entre os destinos citados no levantamento está Santos, no litoral, que tem o Selo Santos da Diversidade, promove a Semana Municipal da Diversidade Sexual e realiza atividades no Mês do Orgulho. Ainda na Baixada Santista, Praia Grande mantém a Semana da Diversidade e apoia a Parada do Orgulho local, enquanto São Sebastião apoia o evento Orgulhe-se e oferece formação e conferência municipal sobre o tema.

No interior, Campinas tem guias turísticos temáticos, Mês do Orgulho LGBTI+ e estrutura institucional própria para políticas de diversidade sexual. Araraquara conta com Parada, Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ e uma Casa de Acolhimento. Em alguns desses municípios, o levantamento identificou ações mais diretamente ligadas ao turismo, como capacitação de profissionais do setor, treinamento de redes de hospedagem e sensibilização de estabelecimentos comerciais.

Interesse mesmo onde ainda não há ação

Entre os 26 municípios que responderam não ter nenhuma atividade voltada ao turismo LGBT+ hoje, 24 (92,3%) disseram ter interesse em desenvolver o segmento, agora ou no futuro. Apenas dois municípios informaram não ter esse interesse. No total da pesquisa, 69 dos 72 municípios (95,8%) afirmaram querer participar de futuras capacitações, encontros ou projetos sobre o tema, segundo a Setur-SP.

Para a secretária estadual de Turismo e Viagens, Ana Biselli, os resultados abrem espaço para políticas públicas estaduais de capacitação de profissionais do turismo, apoio técnico aos municípios e estruturação de roteiros turísticos voltados a esse público, em parceria com prefeituras, iniciativa privada e sociedade civil.

Cartilha orienta hotéis e pontos turísticos

Além do mapeamento, a Setur-SP lançou a Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+, apresentada em setembro durante a 10ª Conferência Internacional da Diversidade, na capital paulista. O material explica o significado de cada letra da sigla LGBTQIA+ e traz sugestões práticas para municípios e empreendimentos turísticos.

Entre as orientações estão o envolvimento dos Conselhos Municipais de Turismo (Comturs) na pauta, o diálogo com a população LGBTI+ local e a integração entre turismo, direitos humanos, cultura e segurança pública. Para o atendimento direto ao turista, a cartilha recomenda tratar todos da mesma forma, respeitar nome social e pronomes e evitar olhares ou comentários constrangedores. No caso de hotéis, um exemplo citado é o de casais do mesmo sexo que reservam quarto com cama de casal: o atendimento não deve questionar a reserva nem oferecer cama extra sem solicitação, apenas confirmar a acomodação com cordialidade.


Tags »
Notícias Relacionadas »