Peça sobre cangaceiro morto pelo Estado tem entrada grátis em SP

Jararaca(s) fica em cartaz no Tusp, no Centro MariAntonia, até 8 de novembro

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Foto: Violência contra a população nordestina é um dos temas tratados na peça – Foto: Tim Oliveira
Foto: Violência contra a população nordestina é um dos temas tratados na peça – Foto: Tim Oliveira

O Teatro da USP (Tusp), no Centro MariAntonia, recebe até 8 de novembro a peça Jararaca(s), que reconstrói os últimos dias de vida do cangaceiro José Leite de Santana, o Jararaca, morto em 1927 após ser capturado pela polícia em Mossoró (RN). A montagem é gratuita e chegou à capital paulista no dia 15 de outubro, depois de passar por Fortaleza.

O espetáculo é assinado pelo Grupo Pavilhão da Magnólia e dirigido por Murillo Ramos, que estuda a trajetória de Jararaca há dois anos. Segundo o diretor, a peça parte de uma pergunta central sobre quem são os corpos que sofrem a violência do Estado. "Geralmente são corpos pretos e das pessoas mais pobres", afirma Ramos.

Da captura à execução

Integrante do bando de Lampião, Jararaca participou da invasão a Mossoró em junho de 1927, quando a cidade resistiu ao ataque dos cangaceiros. Baleado, ele foi preso e permaneceu sete dias sob custódia, período em que teria revelado detalhes sobre os vínculos do cangaço com coronéis e autoridades locais.

De acordo com o relato que embasa a peça, Jararaca foi retirado da cadeia sob a promessa de ser levado a Natal para julgamento. Na prática, os policiais o conduziram a um cemitério, onde foi agredido e enterrado vivo. O diretor da montagem destaca que o atestado de óbito do cangaceiro foi registrado antes mesmo de sua morte. "É uma maneira de silenciamento", diz Ramos.

De cangaceiro a santo popular

Após a execução, moradores de Mossoró passaram a atribuir milagres a Jararaca, e o cangaceiro acabou transformado em santo popular na região. Seu túmulo, no Cemitério São Sebastião, recebe centenas de visitantes todos os anos.

O dramaturgo da peça, Giordano Castro, do grupo pernambucano Magilute, conta que o processo criativo partiu da prisão irregular de Jararaca para discutir a violência estatal contra a população nordestina, incluindo racismo e precarização da vida na região. "A gente parte dessa figura e dessa situação para discutir uma ideia de Brasil", afirma Castro.

O título no plural remete a outros episódios de violência cometida pelo Estado contra populações marginalizadas. No material de divulgação da peça, as perguntas "quem matou Jararaca?" e "quem matou Marielle?" aparecem lado a lado para reforçar essa comparação entre casos de diferentes épocas.

Jararaca(s) fica em cartaz no Tusp, no Centro MariAntonia, até 8 de novembro, com entrada gratuita.

Fonte: Universidade de São Paulo.


FONTE: Universidade de São Paulo
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