Quem mora em Santos e quer aprender a surfar de graça, seja criança, idoso ou pessoa com deficiência, pode procurar duas escolas públicas mantidas pela Secretaria de Esportes (Semes): a Escola Radical de Surfe, no Posto de Salvamento 2, na Praia da Pompeia, e a Escola Pública de Surfe Adaptado, no Posto 3, na Praia do Gonzaga. As duas unidades acabam de render à cidade um prêmio internacional de inclusão.
Santos foi eleita Cidade Mais Inclusiva pela World Surf Cities Network (WSCN), a Rede Mundial de Cidades do Surfe, durante encontro realizado em outubro em Ericeira, Portugal. O evento reuniu representantes de cidades ligadas ao surfe para discutir economia, turismo, inovação, inclusão e sustentabilidade.
O reconhecimento considerou o trabalho das escolas santistas em transformar o acesso gratuito ao surfe em ferramenta de inclusão social, saúde e qualidade de vida. A cidade foi representada no encontro por Cisco Araña, que participa do projeto desde a criação, em 1991, e por César Augusto Andrade, diretor de marketing da Blue Med Saúde, parceira das escolas.
A Escola Radical, na Pompeia, já passou por mais de 50 mil alunos ao longo da história e atende hoje cerca de 550 pessoas, de crianças a frequentadores com mais de 80 anos, com forte presença do público acima de 50 anos. A Escola de Surfe Adaptado, no Gonzaga, foi inaugurada em 2020 para atender pessoas com diferentes tipos de deficiência. Juntas, as duas unidades somam quase 800 alunos, segundo o coordenador da Escola Radical, Cisco Araña.
Em janeiro de 2025, as duas escolas foram declaradas Patrimônio Imaterial e Cultural de Santos. Segundo Cisco, o tombamento reconhece não só a estrutura física, mas o projeto em si como referência para outras cidades.
Não é a primeira vez que Santos recebe o título da WSCN. Em 2023, a cidade já havia sido reconhecida como Cidade Mais Inclusiva, na premiação realizada em Viana do Castelo, também em Portugal, pelo trabalho com alunos acima de 50 anos e pelo surfe adaptado. Em 2025, a Escola Radical também foi premiada pelo Aloha Award, concedido pela International Surfing Therapy Organization (ISTO).
As escolas funcionam em parceria entre a Prefeitura, por meio da Semes, e a Blue Med Saúde, que em 2027 completa dez anos de colaboração com o projeto. Segundo César Augusto Andrade, da Blue Med, o esporte tem papel comprovado na promoção da saúde e na prevenção de doenças entre os participantes, em diferentes fases da vida.
Cisco Araña afirmou que Santos também ajudou a formar outras cidades dentro da rede mundial, como Itanhaém e Imbituba, que hoje integram a WSCN. Para ele, o apoio do poder público e da parceria privada é o que garante a continuidade e a expansão das escolas ao longo dos anos.
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