São José dos Campos tem 93% de aceitação em doação de órgãos

Hospital Municipal registrou duas doações em uma semana e soma 45 órgãos e tecidos captados entre janeiro e outubro de 2026

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Duas pessoas que aguardavam na fila por um transplante de rim ganharam uma nova chance de vida nesta quinta-feira (29) em São José dos Campos. O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence captou os dois rins de um paciente de 57 anos, em mais um caso de doação de órgãos registrado pela unidade neste ano.

A doação aconteceu um dia depois de outro gesto que repercutiu na cidade. A família do adolescente Miguel Meneses, de 14 anos, autorizou a retirada de coração, fígado, rins e córneas após a morte do jovem. Os órgãos e tecidos beneficiaram seis pacientes. Somadas, as duas doações da semana garantiram uma nova oportunidade de vida a oito pessoas.

Os procedimentos de retirada dos órgãos foram conduzidos pela Organização de Procura de Órgãos (OPO), vinculada à Universidade de Campinas (Unicamp), com apoio da equipe do Hospital Municipal, que é administrado pela Prefeitura de São José dos Campos em parceria com a SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

Taxa de aceitação quase o dobro da média nacional

Segundo relatório da equipe de doação de órgãos e transplantes do hospital, a taxa acumulada de aceitação familiar chegou a 93% em 2026, enquanto a média nacional fica em torno de 50%. No Brasil, a doação só pode ocorrer após a autorização da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

A instituição atribui o resultado ao trabalho de abordagem humanizada das equipes, que orientam os familiares, esclarecem dúvidas e prestam acolhimento no momento da perda de um ente querido.

45 órgãos e tecidos doados no ano

O balanço de janeiro a outubro de 2026 mostra que o Hospital Municipal já soma 45 órgãos e tecidos doados. Do total, foram 18 rins, 12 córneas, oito fígados, cinco corações e dois pulmões. Somente em outubro, oito órgãos e tecidos foram captados na unidade.

Rins, córneas e fígado são historicamente os mais captados pelo hospital. Já os transplantes de coração e pulmão dependem de condições clínicas específicas do doador e de uma logística mais complexa para acontecer.

A gestão do hospital reforça que a doação de órgãos é um ato voluntário e recomenda que as famílias conversem antecipadamente sobre o desejo de ser doador, já que essa conversa facilita a decisão no momento da autorização.

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