A Secretaria Municipal de Segurança Urbana de São Paulo deve receber R$ 2,053 bilhões em 2027, valor que pela primeira vez ultrapassa a marca de R$ 2 bilhões na pasta. A previsão consta no Projeto de Lei 752/2026, que estabelece a Lei Orçamentária Anual (LOA) do município para o próximo ano e foi discutida em audiência pública nesta quarta-feira (21), na Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal.
O valor é cerca de R$ 150 milhões maior do que o orçamento executado neste ano, de R$ 1,9 bilhão, segundo a secretária municipal de Segurança Urbana, Juliana Lopes Bussacos. A folha de pagamento vai concentrar a maior fatia dos recursos, R$ 1,3 bilhão. A Atividade Delegada, parceria entre Prefeitura e Governo do Estado que paga PMs para reforçar o policiamento durante as folgas, terá R$ 384 milhões.
O programa de monitoramento por câmeras Smart Sampa receberá R$ 173 milhões, e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) terá mais de R$ 140 milhões. Já a Defesa Civil, responsável por ações em áreas de risco e durante enchentes, terá R$ 6 milhões, valor que foi criticado por vereadores durante a audiência.
O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, vereador João Ananias (PT), disse que o orçamento da Defesa Civil sofreu cortes e que isso preocupa com a aproximação do período chuvoso em São Paulo. Para ele, a cidade precisa de mais recursos na área para lidar com enchentes nos próximos meses.
Ananias também criticou o fato de o debate sobre o orçamento de segurança não ter dado atenção suficiente às periferias e aos trabalhadores que atuam na ponta, mesmo diante de um orçamento total da pasta que classificou de alto.
Durante a fase de manifestações da audiência, moradores de diferentes regiões da cidade levaram reivindicações específicas de seus bairros. Lucas Wrigg, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) da Vila Pereira Barreto, em Pirituba, na zona noroeste, pediu a instalação de uma base fixa da GCM na região, que hoje funciona em locais emprestados apesar de já haver terreno disponível para a construção.
Na zona sul, Sérgio Moraes, diretor do Conseg do Jardim Ângela, relatou que os pancadões têm causado problemas de sono e saúde a moradores da região. Já Cassio Santos, morador de Parelheiros, no extremo sul da cidade, cobrou mais fiscalização da GCM contra o barulho de motos e bicicletas modificadas nos bairros.
A vice-presidente do Conselho Municipal de Direitos da Pessoa Idosa (CMI/SP), Cida Costa, apresentou dados sobre violência contra idosos na cidade: São Paulo registra em média 20 denúncias diárias de agressão contra pessoas idosas pelo Disque 100, número que não inclui chamados recebidos diretamente pelo conselho municipal ou pelo telefone 156. Mauricio Villar, diretor de comunicação do SindGuardas SP, sindicato dos guardas civis metropolitanos, defendeu que o orçamento de segurança da cidade chegue a 3% do total, patamar que considera compatível com a média de outros municípios da região metropolitana.
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