USP analisa papel de hospitais de SP na telessaúde do Amazonas

Pesquisa mostra que especialistas paulistas atendem a distância pacientes de Parintins, no Amazonas, via rede do SUS

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Foto: Universidade de São Paulo
Foto: Universidade de São Paulo

Hospitais privados-filantrópicos de São Paulo fazem parte da rede que sustenta o atendimento médico a distância no município de Parintins, no Amazonas, a cerca de 369 quilômetros de Manaus. A informação consta de uma pesquisa da Universidade de São Paulo sobre os efeitos sociais da telemedicina em regiões remotas do país.

O estudo foi conduzido sob a perspectiva da sociologia da saúde e buscou entender as relações sociais, institucionais e de trabalho que permitem o atendimento médico a distância em uma das áreas mais isoladas do Brasil. Parintins é conhecida por sediar o Festival de Folclore, disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, e fica localizada na Ilha Tupinambarana.

Dependência de instituições fora do Amazonas

Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, o sistema de saúde de Parintins passa a depender de instituições situadas fora do município e do próprio estado do Amazonas, entre elas faculdades de medicina de Manaus e hospitais privados-filantrópicos de São Paulo. Para ele, essa configuração amplia o acesso a especialidades médicas sem alterar a distribuição territorial dos profissionais especialistas pelo país.

A pesquisa aponta que, quando a desigualdade na distribuição de especialistas não é corrigida, a telemedicina pode criar novas formas de dependência territorial e institucional dentro do próprio SUS. O levantamento cita estudos europeus, já consolidados nos campos de Ciência, Tecnologia e Sociologia da Saúde, que mostram como esse modelo de atendimento também pode reforçar desigualdades sociais quando não acompanhado de outras políticas públicas.

Tradução entre linguagens no atendimento a distância

O trabalho descreve o papel de profissionais locais de saúde, que atuam como intermediários entre pacientes das áreas urbanas e rurais de Parintins e especialistas de Manaus e São Paulo. Um dos exemplos citados na pesquisa envolve uma teleconsulta em que um profissional precisou traduzir para um especialista paulista a expressão popular "esquentamento na mãe do corpo", usada por um paciente ribeirinho para descrever dor ou queimação na região pélvica.

Atualmente, Parintins conta com 22 pontos de telessaúde, distribuídos entre unidades ribeirinhas, incluindo uma unidade fluvial, unidades urbanas de atenção primária e serviços especializados. A estrutura dá acesso remoto a especialidades como cardiologia, pediatria, neurologia, endocrinologia, ginecologia, psiquiatria, oftalmologia e ortopedia, além de telediagnósticos.

Segundo dados do Ministério da Saúde citados no estudo, o SUS tem hoje 29 núcleos de telessaúde em funcionamento no país, com outros 34 em implantação, o que deve elevar o total para mais de 60 núcleos nas 27 unidades da Federação. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, essa estrutura viabilizou mais de 10 mil procedimentos de telessaúde pelo SUS, conforme o ministério.

Fonte: Universidade de São Paulo.


FONTE: Universidade de São Paulo
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