Campinas usa curso de português para discutir machismo

Projeto da Fumec reúne imigrantes de países como Haiti, Egito e Cuba em debates sobre igualdade de gênero até dezembro

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Foto: Rogério Capela/PMC
Foto: Rogério Capela/PMC

Imigrantes matriculados em cursos de português e qualificação profissional em Campinas têm usado as aulas para debater machismo, empoderamento feminino e violência contra a mulher. A iniciativa é tocada pela Fundação Municipal para Educação Comunitária (Fumec) e já está na segunda turma, formada por cerca de 40 alunos de países como Haiti, Egito e Cuba, que começaram as atividades em agosto deste ano.

O projeto nasceu de forma experimental em setembro de 2025, quando 40 haitianos moradores da região do Jardim São Marcos entraram em cursos de português para estrangeiros e de qualificação profissional oferecidos pela Fumec. Ao longo de dois semestres, esses alunos trataram em sala temas como desigualdade entre homens e mulheres, desenvolvimento emocional e social, e compararam aspectos culturais do Brasil e do Haiti, dois países marcados por índices altos de violência.

Como funciona a nova turma

Com o resultado considerado positivo pela Prefeitura, a Fumec ampliou o formato em agosto de 2026 para uma turma mais diversa, que reúne estudantes de diferentes nacionalidades. As aulas seguem até dezembro deste ano, e a gestão municipal avalia transformar a iniciativa em política pública permanente a partir de 2027.

A proposta está dentro de um conjunto de ações da Prefeitura de Campinas voltadas a dois objetivos: reduzir os indicadores de violência contra as mulheres no município e ampliar o acolhimento da população estrangeira que vive na cidade.

Por que unir imigrantes de culturas diferentes

Segundo o superintendente adjunto da Fumec, Leandro Carvalho de Oliveira, a igualdade de gênero precisa ser tratada como pauta universal, e reunir alunos de origens distintas em um mesmo espaço de formação ajuda a reforçar esse debate. "Este trabalho é muito importante ao unir diferentes culturas de maneira inovadora em Campinas, para garantir educação de qualidade, humanizada e que reforça a importância do combate à violência contra as mulheres", afirmou.

A formação não se limita ao ensino do idioma: os encontros funcionam como espaço de troca entre alunos de realidades culturais diferentes, que relatam suas próprias experiências com machismo e violência de gênero em seus países de origem antes de debater os avanços e desafios enfrentados no Brasil.


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