Quem mora nos 38 municípios da Grande São Paulo tem hoje um número menor de casos de feminicídio do que no ano passado. Entre janeiro e setembro de 2026, a região registrou 27 ocorrências, contra 37 no mesmo período de 2025, uma queda de 27%, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo. Em setembro, foram dois casos, o mesmo total do mesmo mês do ano anterior.
No mesmo período, as prisões por violência doméstica na região cresceram 33,6%, de 1.785 para 2.385. O aumento nas detenções é apontado pela pasta como parte da resposta policial ao problema, junto com a ampliação do atendimento a vítimas.
A região conta com 21 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), sendo cinco abertas 24 horas por dia. Em delegacias comuns, há ainda salas especializadas que também funcionam de forma ininterrupta. No estado todo, são 144 DDMs, 39 delas com atendimento 24 horas.
Mulheres em situação de violência doméstica também podem acionar a Cabine Lilás pelo telefone 190. O serviço é atendido por policiais femininas, que orientam sobre direitos, medidas protetivas e encaminhamento a redes de apoio. Outra opção é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite fazer boletim de ocorrência pela internet, localizar a delegacia mais próxima e acionar um botão do pânico, que alerta a polícia e um contato de emergência cadastrado pela vítima.
Casos identificados pela Cabine Lilás ou pelo aplicativo podem ainda receber acompanhamento da Patrulha SP Mulher Segura, que faz policiamento preventivo voltado a evitar novas agressões.
"As Delegacias de Defesa da Mulher têm um papel fundamental nesse trabalho, oferecendo acolhimento às vítimas, investigando as denúncias e solicitando medidas protetivas quando necessário", disse a delegada Cristiane Braga, coordenadora das DDMs, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
Os homicídios dolosos na Grande São Paulo também caíram no período, de 373 para 291 casos, queda de 21,9%. É o menor número para os nove primeiros meses do ano desde 2001, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Os latrocínios tiveram recuo ainda maior, de 29 para oito ocorrências, queda de 72,4%, também o menor patamar da série histórica. Em setembro, os casos de latrocínio na região caíram de três para dois.
O governo estadual atribui parte dos resultados ao programa SP Vida, da Secretaria da Segurança Pública, que cruza dados sobre homicídios e latrocínios para identificar padrões e orientar o policiamento preventivo nas áreas com maior concentração desses crimes. "Nosso foco é identificar áreas e situações de risco e direcionar o policiamento para agir de forma antecipada", afirmou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.