Moradores de Santo André vão contar com um plano de prevenção a enchentes em vigor duas semanas antes do previsto neste verão. A Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da cidade confirmou que o Plano Operação Chuvas de Verão 2026/2027 foi antecipado, fazendo do município o primeiro do estado de São Paulo a adiantar esse tipo de plano de contingência.
A medida foi anunciada nesta quinta-feira (22) durante a 12ª reunião do Comitê Técnico de Mudanças Climáticas, realizada na Câmara Municipal de Santo André. O encontro reuniu cerca de 130 pessoas, entre vereadores, servidores, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
O plano mantém as equipes municipais mobilizadas diante de eventos climáticos extremos, com atenção redobrada às possíveis interferências do fenômeno El Niño. A ideia é que cada órgão da prefeitura já saiba qual procedimento adotar em caso de chuva intensa, para agir rápido e evitar desastres.
Durante o evento, a prefeitura também detalhou investimentos em obras que devem reduzir o risco de alagamentos. Entre eles estão mais de R$ 42 milhões em drenagem urbana e mais de R$ 50 milhões em obras de micro e macrodrenagem nas regiões da Vila Pires e da Vila América. Outros R$ 950 mil foram destinados à modernização e ampliação do Centro de Gerenciamento de Riscos e Desastres da Defesa Civil.
A cidade também informou que investiu mais de R$ 104 milhões em serviços de gestão de resíduos sólidos, mais de R$ 300 mil em planos de recuperação de áreas degradadas e mais de R$ 36 milhões em obras de urbanização de núcleos habitacionais. Para o próximo ano, está prevista uma intervenção para desassorear o Rio Tamanduateí e o Córrego Oratório, dois pontos historicamente associados a enchentes na região.
O encontro na Câmara também serviu para apresentar aos vereadores o projeto de lei da Política Municipal sobre Mudança do Clima, que deve chegar em breve à casa legislativa, com expectativa de ser promulgada até o fim deste ano. A proposta foi construída com participação digital da população e recebeu 1.836 contribuições.
Segundo o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos, a reunião aconteceu a pedido de vereadores interessados em entender como o município se organiza diante de eventos climáticos extremos. "Os convidamos para participarem das reuniões do comitê, ampliando a participação social de um tema tão emergente que é a construção de políticas públicas neste contexto de crise climática", afirmou.
A nova legislação deve orientar ações conjuntas entre diferentes secretarias, com foco em desenvolvimento urbano sustentável, redução de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças do clima. O Comitê Técnico, criado pelo Decreto 18.437/2025, vai acompanhar a aplicação dessas medidas e propor diretrizes para áreas como planejamento urbano, habitação, segurança hídrica, saúde e mobilidade. A norma também prevê a participação de técnicos, especialistas e parlamentares nas discussões do colegiado.
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