Campinas registra 4.230 casos de dengue em 2026, sem mortes

Cidade soma 1,4 milhão de visitas contra criadouros do mosquito e negocia com o Ministério da Saúde o método Wolbachia

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Foto: Rogério Capela
Foto: Rogério Capela

Campinas fechou o balanço de 2026 com 4.230 casos de dengue e 9 de chikungunya até o dia 3 de novembro, sem nenhuma morte registrada pelas duas doenças. Os números foram apresentados pela prefeitura nesta quinta-feira, 5 de novembro, durante um webinário promovido pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP) sobre os efeitos do El Niño no aumento das arboviroses nas cidades brasileiras.

O prefeito Dário Saadi participou do evento, organizado pela Comissão de Adaptação, Mitigação e Prevenção de Desastres da FNP, para discutir com outros gestores municipais os desafios de conter a dengue e a chikungunya em um cenário de calor mais intenso, que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

O que a cidade tem feito contra o mosquito

Segundo a prefeitura, as equipes municipais já realizaram neste ano 1.440.165 visitas a imóveis para eliminar criadouros do mosquito e orientar moradores, além de 53.382 visitas para aplicação de inseticida por nebulização costal. A cidade também promoveu seis mutirões intersetoriais em bairros, com coleta de descarte irregular, e cinco ações do Grupo de Resposta Unificada (GRU), voltado a imóveis de maior complexidade para o combate ao mosquito.

Campinas ainda emite alertas semanais para os bairros com maior risco de transmissão de dengue, usado para direcionar as equipes de combate ao mosquito às áreas mais críticas.

Segundo o prefeito, o aumento de casos de dengue sobrecarrega o sistema de saúde, o que torna necessário reforçar a prevenção e orientar a população sobre o mosquito diante do agravamento provocado pelo El Niño.

Wolbachia: o que é e em que fase está

A cidade está em negociação com o Ministério da Saúde para implantar o método Wolbachia, que consiste em produzir mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia. Mosquitos com a bactéria não conseguem transmitir a dengue, o que reduz a circulação do vírus quando a técnica é aplicada em larga escala. A prefeitura não informou prazo para o início da implementação em Campinas.

Segundo o diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, o diferencial da cidade é o trabalho conjunto entre cerca de 15 secretarias e autarquias municipais, reunidas desde 2015 no Comitê Municipal de Enfrentamento das Arboviroses e Zoonoses. A assessora técnica do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Priscilla Pegoraro, afirmou que as respostas ao problema são mais efetivas quando existe esse trabalho entre diferentes áreas da gestão municipal.


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