Esquecimento na menopausa não é sinal de Alzheimer, diz USP

Professora da Faculdade de Medicina da USP explica diferença entre a chamada névoa mental e sintomas de demência

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Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
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Esquecer o nome de um conhecido, perder o fio da conversa ou ir até outro cômodo e não lembrar o motivo são queixas comuns entre mulheres na faixa dos 40 e 50 anos. Segundo a professora associada de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, Cláudia Kimie Suemoto, esses sinais costumam estar ligados à perimenopausa e não significam, na maioria dos casos, o início de uma demência.

O fenômeno é conhecido pelo termo em inglês brain fog, ou névoa mental. Um estudo americano citado pela especialista mostra que cerca de 60% das mulheres relatam esse tipo de dificuldade cognitiva durante a transição hormonal que antecede a última menstruação.

Por que a memória falha nessa fase

A queda e a oscilação do estrogênio, hormônio que atua em regiões do cérebro ligadas à memória, à atenção e à velocidade de raciocínio, são apontadas como possíveis causas das falhas cognitivas. Ondas de calor, insônia, ansiedade, depressão e irritabilidade, sintomas também frequentes no período, podem piorar o quadro.

A intensidade varia de mulher para mulher. Há quem não perceba nenhuma alteração e quem enfrente dificuldades mais acentuadas, principalmente durante a perimenopausa, fase de transição que pode durar vários anos antes da menopausa se consolidar.

Quando a queixa é diferente de Alzheimer

Para diferenciar a névoa mental de um quadro de demência, a professora destaca a evolução dos sintomas. "Na demência, as falhas de memória tendem a ser mais persistentes e comprometem progressivamente a autonomia. Já as dificuldades cognitivas associadas à perimenopausa costumam ser transitórias e melhorar após alguns anos", afirma Cláudia Kimie.

Segundo ela, ter esse tipo de queixa na perimenopausa não indica, por si só, que a mulher vai desenvolver demência no futuro. Ainda assim, a avaliação médica é recomendada para descartar outras causas, como alterações da tireoide, deficiência de vitaminas e distúrbios do sono.

Entre as medidas que ajudam a preservar a saúde cerebral estão a prática de ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, alimentação equilibrada, sono de qualidade, convívio social e estímulos como aprender um idioma ou um instrumento musical. A terapia hormonal pode aliviar outros sintomas da menopausa, mas seu efeito sobre a memória e a concentração varia e nem sempre é significativo.

A especialista reforça que climatério, perimenopausa e menopausa não são sinônimos. O climatério é a fase ampla de transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, dentro da qual ocorre a perimenopausa, período em que os ciclos menstruais ficam irregulares e os sintomas, incluindo os cognitivos, costumam se intensificar.


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