Butantan reduz de 6 meses para 40 dias teste de vacinas

Novo sistema robotizado do Instituto Butantan, na capital, automatiza teste que mede anticorpos e deve acelerar pesquisa de novas vacinas

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Foto: Bruna Custódio/Comuni
Foto: Bruna Custódio/Comuni

Quem depende de novas vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo, deve ganhar com a redução do tempo necessário para comprovar a eficácia desses produtos. O instituto público, referência nacional na produção de imunizantes, passou a usar uma plataforma robotizada que promete cortar de cerca de seis meses para aproximadamente 40 dias o prazo de análise de 20 mil amostras de sangue usadas para medir a resposta imune de pessoas vacinadas.

A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Loccus do Brasil, empresa de biotecnologia sediada em Cotia, na Grande São Paulo, especializada em equipamentos de laboratório. O sistema automatiza o chamado teste de microneutralização, exame que verifica se uma pessoa vacinada desenvolveu anticorpos capazes de neutralizar um vírus.

Até agora, boa parte dessas amostras precisava ser enviada a laboratórios parceiros no exterior, o que encarecia e atrasava o processo. Com a automação feita dentro do próprio Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS), núcleo do Butantan que monitora vírus e avalia a eficácia de vacinas, essa etapa passa a ser feita internamente.

Como funciona o robô do Butantan

O equipamento reúne um braço robótico com garra que se desloca entre pipetadores, lavadora, leitora de placas e estufa, sem necessidade de intervenção manual. Segundo o instituto, o conjunto consegue operar do início ao fim do dia de forma autônoma e processa 50 placas por semana, volume que exigiria uma equipe de cerca de 20 pessoas se feito manualmente.

O processo de microneutralização inclui etapas de cultura celular, diluição de amostras, adição de vírus e reagentes, incubação por até 20 horas, lavagem e leitura por fluorescência, técnica que identifica a concentração de anticorpos protetores presentes no material analisado.

Segundo a diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan e coordenadora do CeVIVAS, Sandra Coccuzzo, a automação também deve reduzir erros humanos e riscos de contaminação das amostras, aumentando a precisão dos resultados. Ela afirma que pesquisadores do centro, em geral mestres e doutores, poderão dedicar mais tempo a análises e à própria inovação científica, em vez de tarefas operacionais.

Aprendizado da pandemia

A experiência com automação em larga escala no Butantan remonta à pandemia de Covid-19. Em 2021, o instituto já havia firmado parceria com a Loccus do Brasil para criar o LabMóvel, laboratório itinerante montado em um contêiner que fez diagnósticos de Covid-19 e sequenciamento genético do vírus em diferentes regiões do estado de São Paulo.

Segundo a pesquisadora Maria Carolina Elias Sabbaga, também coordenadora do CeVIVAS, a nova plataforma é resultado de um projeto buscado pela equipe nos últimos anos e deve contribuir diretamente com os ensaios clínicos de futuras vacinas desenvolvidas pelo Butantan.


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