Quem trabalha em hotéis, bares e restaurantes de São Paulo pode ver a jornada mudar nos próximos meses. A Comissão Extraordinária de Apoio ao Desenvolvimento do Turismo, do Lazer, da Gastronomia, da Hospitalidade e dos Eventos da Câmara Municipal de São Paulo discutiu nesta terça-feira (27) a transição da escala 6x1 para a 5x2 no setor, além dos desafios para atrair e manter profissionais na área.
A reunião aconteceu no Leques Brasil Hotel-Escola, no bairro da Liberdade, na zona central da capital. O espaço funciona como hotel e, ao mesmo tempo, forma profissionais para o setor. Foi concebido e é mantido pelo Sinthoresp, sindicato que representa trabalhadores de hotéis, bares, restaurantes e similares na capital e em outros municípios da Grande São Paulo.
Paulo Augusto Pereira, diretor do Sinthoresp, afirmou durante o encontro que a categoria conseguiu avançar na redução da jornada de 6x1 para 5x2, o que na prática significa dois dias de folga por semana em vez de um. Segundo ele, a mudança tende a tornar o setor mais atrativo para quem busca emprego, revertendo a dificuldade atual de atrair e reter mão de obra.
Cinthia Gama Lacerda, do setor de relacionamento com convidados do Leques Brasil Hotel-Escola, disse que o hotel-escola estuda a adaptação à nova escala desde o início do ano e que a implantação já está em andamento. Ela também cobrou mais ações de zeladoria e requalificação urbana no entorno do bairro da Liberdade, um dos destinos turísticos mais procurados da cidade. Para ela, as obras de melhoria das vias em curso na região precisam alcançar também o miolo do bairro, não só a área central.
Segundo dados apresentados pela Fhoresp (Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo) durante a audiência, o turismo paulista soma 987 mil empregos formais diretos. Os serviços de alimentação, como bares e restaurantes, tiveram alta de 3,1% nas contratações nos últimos 12 meses. Com vagas informais, temporárias e extras, o setor chega a mais de 1,4 milhão de trabalhadores no estado.
A federação projeta ainda que o faturamento do setor de alojamento e alimentação fora do lar alcance R$ 211 bilhões em 2026, impulsionado por feriados e pelo fluxo de visitantes.
O vereador Gilberto Nascimento (PL), presidente da comissão, conduziu a reunião e defendeu que a Câmara precisa se preparar para os efeitos da mudança de jornada sobre o setor. Já Rubens Fernandes da Silva, vice-presidente do Sinthoresp, destacou o potencial do turismo na cidade e defendeu mais investimento em eventos para atrair visitantes nacionais e internacionais, citando a qualificação da mão de obra paulistana como diferencial.
Mais notícias de São Paulo (capital) · O que fazer em SP