Quem mora em São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Franco da Rocha e Francisco Morato já convive com quatro piscinões entregues pelo Governo de São Paulo desde 2023. Um quinto reservatório está em construção na capital, no entorno do estádio do São Paulo Futebol Clube, no Morumbi. Juntas, as cinco obras somam R$ 960 milhões em investimentos, segundo balanço divulgado neste sábado (24) pela SP Águas, companhia estadual responsável pelas estruturas.
Os piscinões são reservatórios que recebem parte do volume de chuva e o seguram temporariamente durante o período mais intenso da tempestade. Depois, a água é liberada aos poucos. A função é evitar que grandes quantidades cheguem ao mesmo tempo aos rios, córregos e galerias de drenagem, o que costuma provocar alagamentos em áreas urbanas com muito solo impermeabilizado.
Durante as chuvas fortes de setembro deste ano, segundo a SP Águas, esses cinco reservatórios tiveram papel estratégico na retenção da água, ajudando a reduzir os riscos de inundação nas regiões onde estão instalados.
Ao todo, a Região Metropolitana de São Paulo já tem 30 piscinões, espalhados por 11 municípios: Diadema, Embu das Artes, Franco da Rocha, Francisco Morato, Guarulhos, Mauá, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Taboão da Serra. A capacidade somada desses reservatórios passa de 6,3 milhões de metros cúbicos de água, volume que, segundo o governo estadual, equivaleria a 635 mil caminhões-pipa enfileirados, uma distância comparável à que separa São Paulo de Boa Vista (RR).
Os piscinões fazem parte do plano de resiliência hídrica do estado, que também inclui a Operação SP Sempre Alerta, lançada em 15 de outubro para reforçar a preparação contra eventos climáticos extremos como o El Niño. A operação prevê mais de 180 medidas e cerca de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029, incluindo obras de drenagem, contenção de cheias, recuperação de rios e modernização do monitoramento das chuvas.
Nelson Lima, diretor da SP Águas, afirmou que as equipes acompanham continuamente os níveis dos rios e a evolução das chuvas. "Esse monitoramento, aliado ao planejamento e à infraestrutura disponível, permite antecipar cenários, acompanhar as condições de operação dos reservatórios e ampliar a capacidade de resposta do Estado, contribuindo para reduzir os impactos dos eventos hidrológicos extremos sobre a população", disse.
Na Marginal Tietê, a SP Águas mantém 12 pôlderes, sistemas com muros, comportas e casas de bombas que impedem o retorno da água do rio para as vias durante temporais. Outra frente é o Programa IntegraTietê, que já investiu R$ 1,4 bilhão desde 2023 e retirou mais de 6,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos do rio e de afluentes. Desde a privatização da Sabesp, mais de 1,5 milhão de domicílios foram ligados à rede de esgoto, beneficiando mais de 4,5 milhões de pessoas na bacia do Tietê. Já a limpeza do Rio Pinheiros retirou mais de 149,7 mil toneladas de lixo desde 2023, com R$ 228 milhões investidos.
No interior e no litoral, o Programa Rios Vivos aplicou R$ 366,3 milhões desde 2023 em desassoreamento de rios de cerca de 202 municípios paulistas, com a retirada de mais de 4,9 milhões de toneladas de resíduos dos cursos d'água, segundo a SP Águas.