Um treino de 30 minutos, feito só com o peso do próprio corpo, três vezes por semana, conseguiu reverter o quadro de fragilidade em idosos atendidos numa Unidade Básica de Saúde (UBS) de Sorocaba. É o resultado de um estudo da Universidade de São Paulo (USP), feito em parceria com a University of Manitoba, no Canadá, e publicado na revista científica European Geriatric Medicine.
A pesquisa interessa a quem cuida de pais ou avós idosos, e também aos profissionais da atenção primária: o programa não exige aparelhos, academia nem estrutura cara, o que abre caminho para ser replicado em outras UBSs do estado de São Paulo.
Fragilidade, segundo o professor de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, Francisco Luciano Pontes Júnior, orientador do estudo, é uma condição clínica que reduz a capacidade do corpo de resistir a situações de estresse, como uma infecção, e aumenta o risco de quedas, internações e morte. No Brasil, 9,1% dos idosos são considerados frágeis e 51,8% estão na fase anterior, chamada de pré-fragilidade, mais fácil de reverter.
O estudo acompanhou 60 pessoas, com média de 74 anos, por seis meses. Metade fez o treino intervalado, a outra metade manteve a rotina normal e serviu de comparação. As sessões duravam 30 minutos: cinco minutos de aquecimento, 20 minutos de exercícios alternando 30 segundos de esforço com 30 segundos de pausa, e cinco minutos de alongamento no final. Os movimentos eram variações de agachamento e outros exercícios que trabalhavam pernas, braços e abdômen ao mesmo tempo, adaptados à condição de cada participante.
Segundo o autor da pesquisa, Lucas Marques Vieira, a melhora já aparecia nas primeiras 12 semanas e seguiu evoluindo até completar as 24 semanas de treino. Os idosos ganharam força nas pernas, velocidade na caminhada, mais mobilidade e melhor desempenho em levantar e sentar numa cadeira. Também houve redução da pressão arterial sistólica, o número mais alto da medição de pressão.
O nível de fragilidade foi medido pelo modelo Fenótipo de Fragilidade de Fried, que avalia cinco critérios: perda de peso não intencional, exaustão, força reduzida nas mãos, lentidão ao caminhar e baixo nível de atividade física. Quem tem três ou mais desses sinais é considerado frágil; um ou dois, pré-frágil; nenhum, robusto.
Depois das 24 semanas de treino, 80% dos idosos que começaram frágeis passaram a ser pré-frágeis, e 20% chegaram à condição de robustos. Entre os que iniciaram pré-frágeis, 69,2% terminaram classificados como robustos. Não houve mudança relevante no peso corporal, no índice de massa corporal ou na quantidade de gordura e músculo dos participantes.
Para o professor Pontes, o programa tem potencial para virar uma estratégia de cuidado da fragilidade dentro da atenção primária, já que exige pouca estrutura e nenhum equipamento especializado. Ele destaca a importância de profissionais de Educação Física atuarem dentro das UBSs, junto com as equipes de saúde, no acompanhamento de idosos.
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