Pais e responsáveis em todo o estado de São Paulo têm enfrentado um desafio parecido: convencer os filhos a largar o celular ou o videogame. O tema ganhou atenção de especialistas no Congresso Brasileiro de Pediatria, realizado em Belo Horizonte, onde pediatras discutiram como o excesso de telas e os jogos on-line afetam a saúde mental de crianças e adolescentes.
Segundo os especialistas, brincadeiras tradicionais, como jogos ao ar livre e interações presenciais, vêm perdendo espaço para celulares e jogos digitais. Mais do que entretenimento, essas telas passaram a ocupar um papel de companhia constante e até de regulação emocional para os pequenos, funcionando como uma forma de acalmar birras ou preencher momentos de tédio.
De acordo com os pediatras ouvidos no congresso, a rotina de trabalho dos pais, a dificuldade em estabelecer limites claros e a pressão social por uma "parentalidade perfeita" tornam o cenário ainda mais complicado. O resultado é que, muitas vezes, o tablet ou o smartphone vira a solução mais rápida para lidar com o comportamento infantil no dia a dia.
Os especialistas reforçam que o fortalecimento dos vínculos familiares é uma das principais formas de prevenção contra os efeitos negativos do uso excessivo de telas. Isso inclui conversar com os filhos, participar das atividades deles e dar atenção genuína, sem distrações do próprio celular dos adultos.
Entre as orientações apresentadas no congresso estão o estabelecimento de limites de horário para o uso de telas, o acompanhamento das atividades digitais dos filhos e o incentivo a práticas culturais, esportivas e sociais, como esportes, artes e encontros com outras crianças.
Os especialistas também destacam a importância do exemplo dado pelos adultos em casa. Pais que também fazem uso excessivo do celular tendem a dificultar a adoção de limites pelos filhos. Outra recomendação é evitar, antes dos 18 anos, o contato com álcool, tabaco e jogos de apostas, incluindo versões digitais voltadas a adolescentes.
O tema foi tratado pelo pediatra João Paulo Lotufo, professor da USP, na coluna Dr. Bartô e os Doutores da Saúde, exibida quinzenalmente às segundas-feiras, às 9h, na Rádio USP, sintonizada em 93,7 FM na capital paulista e 107,9 FM em Ribeirão Preto.