Mulheres que tiveram filhos no Brasil, em qualquer época, em hospital público ou particular, podem participar de uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) sobre como é a experiência de dar à luz no país. A participação é feita por um questionário on-line, de forma voluntária e sigilosa, e não tem prazo final divulgado.
O estudo integra o Consórcio Internacional The Birth Experience Study (IC-BESt), que reúne pesquisas sobre parto em 16 países de cinco continentes. No Brasil, a coordenação é da professora Simone Diniz e de sua equipe na FSP-USP, com apoio da Fapesp e do CNPq. A ideia é comparar depois os relatos brasileiros com os de outras nações e usar os resultados para melhorar a assistência ao pré-natal, parto e pós-parto no país.
Podem participar mulheres que tiveram parto no Brasil, não importa há quanto tempo. O questionário está disponível on-line e pode ser respondido no computador ou no celular, inclusive com a função de ditado por voz nas perguntas abertas. O tempo estimado de preenchimento varia de 60 a 90 minutos, e dá para interromper e retomar de onde parou em até sete dias.
O formulário pergunta sobre acesso ao sistema de saúde, relação com os profissionais que atenderam o parto, intervenções médicas realizadas, assistência recebida no pós-parto e questões de saúde mental. Há também um questionário específico para homens trans que tiveram filhos.
Segundo a FSP-USP, a pesquisa não serve como canal de denúncia, mas o próprio questionário traz informações sobre onde buscar apoio caso a participante se sinta desconfortável ao relembrar a experiência. Nome e identidade de quem responde não são divulgados em nenhuma etapa do estudo, e as respostas são analisadas em sigilo.
De acordo com a USP, o Brasil avançou na saúde materna nas últimas décadas e hoje quase todos os partos contam com profissional de saúde presente. Ainda assim, persistem problemas como o uso frequente de intervenções desnecessárias durante o parto natural, o que pode aumentar riscos de complicações e está ligado às altas taxas de cesariana no país.
A pesquisa também vai olhar com mais detalhe para grupos específicos, como mulheres pretas, pardas e indígenas, mulheres acima do peso e mulheres com complicações clínicas durante a gestação ou o parto, para entender se a experiência muda conforme esses recortes. Os resultados devem ser divulgados nas redes sociais do estudo, onde as participantes poderão acompanhar as conclusões da pesquisa.
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